sábado, 1 de dezembro de 2012

Homilia no Início do Ano Litúrgico C – I do Advento



Amados irmãos caríssimos, a todos vós a paz do Menino Jesus que vem, que se nos aproxima, trazendo grande alegria. Nesse domingo damos início a outro ano Litúrgico, o que denominamos Ciclo C. Neste ano, que se encerra, em tese com o encerramento do ano da fé, no ano que vem, iremos mais uma refletir e celebrar os principais mistérios de nossa fé e da História da Salvação, agora interpelados por São Lucas, que nos acompanhará mais constantemente.
- O ANO LITÚRGICO, que vivemos numa ótica diversa ao ano civil, centraliza-se nas duas grandes festas do Natal e da Páscoa de nosso Senhor. Cada uma destas, dá-se em três etapas, a saber:
  - preparatória: Advento e Quaresma...;   - celebrativa: do Natal à Epifania; da Páscoa ao Pentecostes...;   - prolongada: nos domingos do tempo comum...
Com esta Santa Eucaristia damos início às quatro semanas do ADVENTO. Tempo de ESPERA e ESPERANÇA, no qual celebramos:
+ Um fato passado, um presente e um futuro:
1º - A vinda histórica de Cristo, prometida a Abraão, lembrada pelos profetas, esperada pelo povo, realizada em Belém… 2º - A vinda de Jesus presente na sua Igreja: Cristo continua a vir: na Palavra, na Eucaristia, nos irmãos. E, 3º, a segunda vinda… no fim do mundo…
A liturgia da Palavra que ouvimos, meneia para um novo tempo, marcado pela esperança e pela alegria: através do profeta Jeremias vemos um povo que, após um longo exílio, cansado e abatido, retorna para a sua terra, sua casa, mas depara-se com tudo destruído, tendo que dar início a tudo de novo, que recomeçar. O profeta anuncia a chegada de dias melhores. Virá ao mundo um descendente de Davi, que garantirá a paz e a salvação. Lembrando as promessas de Deus, Jeremias extingue a nostalgia do passado, suprime o temor atual e instaura o ambiente da ESPERANÇA. Esse rebento esperado é Jesus de Nazaré, com quem se inicia o Reino de Paz e Justiça. Apesar disso percebemos que a edificação desse mundo novo não foi concluída com o nascimento de Cristo. O que exige ainda muito tempo, nosso empenho e colaboração.
Com Paulo, na segunda leitura, damos um olhar para o PRESENTE. Ele lembra à comunidade de Tessalônica que a melhor maneira de esperar a vinda do Senhor Jesus é crescer no amor mútuo, fraterno.  Sem esse o mesmo o Advento torna-se vazio, e consequentemente, o Natal.
Já olhando o Evangelho, podemos vislumbrar o FUTURO, segundo a perspectiva lucana. Já se aproxima o fim da vida terrena de Jesus.  
São Lucas noticia tempos difíceis de sofrimento e perseguição. O texto, de forma apocalíptica, narra a segunda vinda de Cristo, o que teologicamente, denomina-se Parusia, fim desse nosso tempo. As “menções” catastróficas apresentadas são imagens utilizadas pelos profetas para falar do "dia do Senhor", sua intervenção na história a fim de libertar o seu Povo. Tal alusão almeja reavivar a ESPERANÇA pelo novo dia que surgirá e motivar a PRUDÊNCIA para reconhecer e acolher o Senhor que vem.
"Fiquem de pé e levantem a cabeça, pois a vossa libertação está próxima". É uma das motivações evangélicas a não esperar passivamente a vinda do Filho do Homem.  - É preciso "estar atento" a essa salvação que nos é apresentada e aceitá-la. - É imprescindível reconhecer Jesus que vem nos sinais da história, no rosto dos irmãos, nas solicitações dos que sofrem e que buscam a libertação. Precisamos ter a vontade e a liberdade de acolher o dom de Jesus, deixando que ele nos converta o coração e se faça vida em nossos gestos e palavras. É preciso ter presente, que este mundo novo está permanentemente a fazer-se e depende do nosso testemunho.  
Assim podemos nos perguntar: Como pretendemos preparar o Natal desse ano? - Apenas com presentes, enfeites, músicas, festas, comes e bebes... - ou vamos dar um passo diferente e fazermos, de fato, um Natal cristão? Natal esse que deve ser vivido num Clima de Esperança, pois o Advento é participar de uma espera profunda de todos os homens pela vinda de Deus. "De cabeça erguida..." apesar dos problemas que nos cercam...
Também é clima de vigilância para perceber os sinais da presença de Deus entre nós… Vigiar significa pôr Deus em primeiro lugar na vida. Ou seja, ler a realidade com o olhar voltado à eternidade. Significa ainda crer que o Reino de Deus já está presente entre nós. 
Jesus nos adverte quanto a um grande perigo:  "Não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida..."
O Natal também dá-nos o clima de Oração: - na Comunidade: com a liturgia do Advento... - nas famílias: com a Novena do Natal em família, nos lares, tudo em preparação para o grande evento, avinda do Messias, o Salvador, Jesus de Nazaré. Tem também, clima de Conversão, que se dá pelo gesto de acolhida: preparar o nosso presépio, o coração…   Nosso Natal será realmente cristão, se Cristo tiver lugar em nosso coração. Caso contrário, a sua vinda será inútil. Removamos de nossa vida toda bagagem inútil que possa impedir os nossos passos para Cristo. Como há dois mil e tantos anos em Belém, Ele ainda hoje continua buscando um lugar…Será que Ele encontrará esse lugar em nossa casa, em nosso coração?

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