terça-feira, 30 de abril de 2013

Secretaria e pastorais paroquiais - como agir

SECRETARIAS PAROQUIAIS - Revista Ave Maria – Maio 2013
O atendimento paroquial vai muito além da secretaria da paróquia; ele está presente em toda conjuntura do local, começando pelas pessoas que atendem na secretaria, o pároco ou quem faz a vez dele, até a ação de cada fiel, agentes de pastoral.
No entanto, a secretaria paroquial ainda é "o cartão de visitas" da paróquia. Pelo atendimento que é dado ali, se tem uma imagem do que é a paróquia em sua conjuntura. Ali, muitos fiéis têm o primeiro contato com a Igreja, portanto, é o primeiro local onde deveriam se sentir acolhidos. O acolhimento é muito mais amplo que um mero atendimento ou recepção: ele é o elemento diferenciador da secretaria paroquial da secretaria de uma empresa, por exemplo. Quando não há acolhimento nas secretarias paroquiais, o serviço da paróquia iguala-se a outros serviços prestados por instituições dos demais setores, ou até mesmo pior, porque nessas empresas os funcionários comumente recebem qualificação, o que nem sempre acontece com as pessoas que atendem nas secretarias paroquiais.
Quando não se investe na formação de pessoas para o trabalho de recepção, atendimento e, sobretudo, de acolhimento nas secretarias paroquiais, a própria paróquia sofre as consequências desse descuido. O primeiro passo para se evitar o mau acolhimento daqueles que procuram a paróquia é escolher bem quem vai trabalhar na secretaria paroquial. O ideal é que pessoa a atuar nesse espaço preencha alguns requisitos básicos, como ser católica e atuar em alguma pastoral. Além disso - e principalmente - precisa ter boa vontade e fazer o trabalho com amor. Não pode ser apenas um funcionário da paróquia, mas alguém que ama a sua Igreja, a comunidade, e quer ver aquele local como espaço de encontro com Deus.
Porém, nem sempre isso ocorre em boa parte das paróquias brasileiras. Não são poucas as reclamações que ouço de pessoas que foram destratadas na paróquia, por quem deveria acolhê-las e tratá-las bem. Muitas secretarias paroquiais contam, na sua recepção, com pessoas estressadas, amarguradas, que descarregam esses sentimentos nas pessoas que dali se aproximam. Há secretárias e secretários que cercam o pároco de tal maneira, que se torna impossível se comunicar com ele. 
Quando não se preocupam em saber o tipo de atendimento que os secretários oferecem no expediente paroquial, os próprios párocos acabam sendo coniventes com esse tipo de tratamento, legitimando tais ações com seu silêncio ou omissão e, consequentemente, afastando as pessoas da paróquia. 
Vale lembrar, também, que acolher não significa apenas receber com simpatia e atenção aqueles que se acercam do espaço. Engloba um conjunto de situações que envolvem a totalidade da pessoa que recepciona na secretaria, tudo que a concerne: gestos, palavras, posturas, os cuidados pessoais, o espaço físico, o ambiente. Tudo deve favorecer o bom atendimento para que a secretaria paroquial se transforme num espaço que represente o acolhimento do próprio Cristo. 
Para que isso ocorra, não basta apenas treinamento profissional para os atendentes, mas também outros investimentos que completam a qualidade dessa prestação de serviço oferecida pela paróquia, como o zelo pelo espaço. Há secretarias que mais parecem depósitos do que um espaço de atendimento de pessoas. Outras que estão tão escondidas que muitos não fazem ideia de que a paróquia tem um espaço físico de atendimento de pessoas. 
Não podemos dispensar, para as secretarias paroquiais, os avanços tecnológicos obtidos no primeiro e no segundo setor, mas também não devemos negligenciar aquilo que é essencialmente nosso: a caridade evangélica e o amor ao próximo. Se não fizermos isso, corremos o risco de transformar a paróquia numa empresa que presta um serviço de péssima qualidade, de mantê-la estagnada no campo da evangelização, quando a missão da Igreja é também evangelizar pelo testemunho dos fiéis.
Gestão Eclesial – Tarefas, responsabilidades e práticas, de José Carlos Pereira.

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