Dom Orlando Brandes: Bebidas alcoólicas e festas de Igreja
31.12.2010
- Em síntese: Como bispo de Joinville, D. Orlando Brandes condena o uso
de bebidas alcoólicas nas festas de igreja. Firma sua posição sobre
doze itens que manifestam a inconveniência de fomentar o alcoolismo.
Como bispo de Joinville (SC), D. Orlando
Brandes (hoje Arcebispo de Londrina, PR) escreveu uma Carta aos seus
diocesanos pela qual condena o uso de bebidas alcoólicas nas festas da
igreja. Dado o alto valor desse
documento e a concordância, transcrevemo-lo a seguir.
O USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS NAS FESTAS DE IGREJA
O alcoolismo é uma doença. É a primeira e
a mais consumida de todas as drogas. É alarmante o índice de jovens,
mulheres e adultos dependentes do álcool. Mortes no trânsito, violência
familiar, infidelidade conjugal e doenças derivantes do álcool, são
conseqüências negativas do hábito ou da dependência de bebidas
alcoólicas. Grande parte do setor de ortopedia dos hospitais, é ocupada
por acidentados alcoolizados. Os gastos públicos são astronômicos, e
poderiam ser evitados se houvesse mais conscientização.
As escolas e estádios proibiram o uso de
álcool em suas festas. A CNBB promoveu e apoiou a Pastoral da
Sobriedade e coordenou a Campanha da Fraternidade “Vida Sim, Drogas
Não”. No texto-base está dito pela CNBB: “A pior das drogas é o
alcoolismo”. Não podemos em nossas festas lucrar com dinheiro da pior
das drogas e com festas mundanas, eu levam o nome de “festa de Igreja”.
Depois de três anos de conscientização,
através de reuniões, assembléias pastorais, conselhos de pastoral e o
aval do clero, A Assembléia Diocesana de Pastoral votou unanimemente em
favor das festas sem álcool. Doze razões foram elencadas em carta
enviada às comunidades para aprofundamento da questão. Eis os doze
pontos:
1. O alcoolismo é uma doença. Nós somos
pela defesa da vida, da saúde e da boa convivência humana. O quinto
mandamento da lei de Deus manda: “Não matarás”. O álcool mata o
alcoólatra e muitas vezes ele mata os irmãos em casa, nas festas, no
trânsito e nas brigas.
2. O alcoolismo já está atingindo a
juventude, as mulheres e também pessoas da Igreja. Não podemos continuar
dando mau exemplo em nossas Igrejas e colaborar com o prejuízo das
pessoas.
3) Temos na CNBB e nas Dioceses a
Pastoral da Sobriedade. Na diocese de Joinville, temos a Pastoral
Antialcoólica. Permitir bebidas nas festas é um contra-testemunho e uma
contradição com estas Pastorais.
4) Não somos contra festas. Pelo
contrário; o que queremos é que nossas festas sejam verdadeiramente
religiosas, sadias, agradáveis, num espírito de família e de boa
convivência. Nos lugares onde foram tiradas as bebidas alcoólicas, as
festas melhoraram em tudo.
5) Para tirar as bebidas alcoólicas, é
preciso implantar bem o dízimo nas comunidades. Onde o Dízimo é bem
organizado, melhorou em muito o lado econômico da comunidade e pode-se
então abolir as bebidas alcoólicas das festas sem prejuízo financeiro. O
segredo está na boa implantação da Pastoral do Dízimo.
6) As festas com bebidas alcoólicas,
mais a contratação de músicos, cantores e conjuntos musicais, acabam
sendo muito dispendiosas. E a maior parte do lucro não fica na
comunidade. Não podemos mais continuar apoiando coisas do mundo, nas
festas religiosas. “Detesto vossas festas, tornaram-se uma carga que não
suporto mais” (Is 1, 14).
7) O povo e a comunidade, aprovam a
abolição das bebidas alcoólicas em nossas festas. Quem ainda quer fazer
festa com bebidas alcoólicas são as lideranças mais antigas, que não
conhecem as novas experiências, de festas sem álcool. Algumas vezes
pessoas da Igreja também não estão ainda bem convencidas no assunto.
Geralmente quem bebe, são pessoas que não freqüentam a comunidade. Elas
aparecem nas festas, depois não participam da comunidade.
8) As Paróquias e comunidades que já
tiraram as bebidas alcoólicas de suas festas, começaram primeiro
conscientizando a comunidade, e paralelamente implantaram a Pastoral do
Dízimo. Algumas fizeram uma votação, ou melhor, um plebiscito. Tudo deu
certo. O povo está feliz, e as finanças aumentaram, sem as bebidas
alcoólicas nas festas.
9. Tirando as bebidas alcoólicas,
estamos dando bom exemplo para outras religiões, colaborando com a saúde
pública, sendo coerentes com nossa fé e nossas Pastorais.
10. Após alguns anos de conscientização,
a Assembleia Diocesana de Pastoral, em 2005 votou pela abolição de
bebidas alcoólicas em festas de Igreja. Padres e lideranças, devem dar
oportunidade de conscientização da comunidade sobre este assunto.
11. “Não vos embriagueis, mas enchei-vos
do Espírito” (Ef 5, 18). A experiência tem mostrado que suco de uva e
outras bebidas substituem as bebidas alcoólicas. Para maior clareza,
decidimos que, se alguém aluga salões da Igreja para casamentos e outros
encontros, consideramos que tais festas não são promoção da Igreja e
por isso o uso de bebidas alcoólicas é da responsabilidade dos
encarregados da festa.
12. Percebemos também que nas
comunidades onde o pároco assume a responsabilidade de tirar as bebidas
alcoólicas, o povo aceita e as lideranças se rendem. Onde o Padre fica
neutro ou é contra, é quase impossível a mudança do hábito.
Fonte: http://reporterdecristo.com
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